Filme Ben-Hur [2016]|Crítica|Curiosidades, etc.


Quando fui domingo ao Cinemark do Shopping Aricanduva eu estava convicta de que assistiria Esquadrão Suicida, porém quando cheguei lá a sessão havia começado e fiquei sabendo que o filme seria na sala 9, ou seja, seria no Shopping Interlar, que mesmo sendo em frente, preferi esperar outra oportunidade para assisti-lo, e por impulso, escolhi Ben-Hur. Foi algo não programado que caiu no momento certo, pois eu só havia lido a sinopse alguns dias antes, e não criei tanta expectativa para o filme no instante em que a li, porém a história me surpreendeu mais do que imaginei. 

Ben-Hur atraiu aquele tipo de público apaixonado por narrações históricas e épicas, que retratam um período diferente do que estamos acostumados a ver atualmente nos cinemas. Antes dessa nova versão ganhar as telonas em 2016, já existiu outras adaptações cinematográficas, a principal delas desenvolvida em 1959 com o mesmo título, onde recebeu inúmeras críticas positivas e ganhou o Oscar pela excelente produção, por isso tentarei não basear meus argumentos e opiniões no filme de 1959, já que ele é a grande referência quando se trata de Ben-Hur. O filme é baseado em um romance de 1880 chamado Ben-Hur: A Tale of the Christ, o autor do livro tem o foco de sua narração baseado na busca pela salvação e misericórdia por meio da existência de Jesus Cristo, ou seja, é um livro extremamente religioso, e apesar da adaptação do filme para 2016 abordar alguns aspectos religiosos, não é a questão mais centrada do enredo. Sua filmagem contou com a partição de grandes nomes do cinema, como por exemplo, Morgan Freeman e Rodrigo Santoro, e no começo do filme já é possível se engajar em um discurso proferido pelo Sheik Ilderim interpretado por Morgan Freeman contando basicamente a trajetória dos dois melhores amigos até aquele momento da história, ou seja, o filme já começa com a cena final, o que deixa aquele ar de curiosidade e questionamento de como eles chegaram até aquele momento, e em seguida, já parte para a cena de contextualização, o começo de tudo, um pouco da história dos personagens e suas características.

Qual a história do filme?
Ben-Hur retrata um dos traços mais marcantes do Império Romano e a sua peculiaridade como uma das nações consideradas mais cruéis e violentas da época, e essa imagem de natureza selvagem e bárbara é preservada até hoje quando estudamos a história de Roma. O gênero dramático se torna nítido quando é apresentada a família de Judah Ben-Hur, uma linhagem nobre evidenciada como uma das mais ricas de Jerusalém, dotada de autonomia e poder, principalmente com Judah tendo o titulo de príncipe, seu irmão adotado e melhor amigo, Mesalla, sempre nutriu a ambição em querer se tornar alguém reconhecido pelo seu povo, algo que nunca recebeu em sua vida, apesar da família de Judah tê-lo acolhido de braços abertos em sua casa e tratá-lo como se realmente fosse da família, mas para Mesalla isso não bastava, e sua indignação o fez dizer adeus ao irmão e abrir mão do carinho de sua família para sair em busca de aventuras ao redor do mundo, combatendo exércitos inimigos, e usando a guerra para levar paz aos outros reinos. Algumas cenas mostram a sua trajetória enquanto permaneceu afastado da família, e seu talento e força nas batalhas e guerras o levaram ao título de um dos melhores guerreiros na nação, e em consequência, conquistou o respeito do povo pela bravura e devoção a guarnição romana.

Judah nunca deixou de escrever cartas ao companheiro nos anos seguintes, no entanto sempre se decepcionou por não receber nenhuma resposta, chegando a achar que seu irmão havia morrido em combate. Certo dia, a família Ben-Hur recebe a notícia de que Mesalla está de volta em Jerusalém para uma passeata organizada pelo governador da Judeia, Pilatos e o seu exército. Nesse evento, ocorre um acidente no qual Pilatos quase é morto por uma flecha vinda do local onde Judah observava a passeata, porém ele não é o responsável pelo acidente, ao contrário, ele é mais vítima do que culpado, pois Judah ofereceu abrigo a um jovem que por pertencer a uma comunidade inimiga do Império Romano é considerado um adversário, e ao encontrar uma oportunidade de matar o governador da Judeia, não hesitou na tentativa, o que prejudicou toda a família Ben-Hur. Judah foi submetido a assumir a injusta acusação de traição e tentativa de matar Pilatos, já que sua família estava sendo ameaçada de morte pelos protetores do governador, e no meio deles estava Mesalla, seu irmão, que junto com os demais, o acusou sem provas. Acreditei que ele soubesse desde o início que não havia sido seu melhor amigo o responsável pelo ataque, que ele jamais tentaria tirar a vida de alguém sem razão, porém ele não dá ouvidos a  ligação com sua família e condena Judah para ser escravo em um navio do Império Romano por toda a eternidade. As pessoas que assistiram o filme acharam que Mesalla havia mandado que matassem sua própria mãe e irmã, porém apenas no final é mostrado o que realmente aconteceu com ambas.

Judah Ben-Hur se torna escravo a borda do navio romano, e durante 5 anos suporta o ódio e o desejo de vingança, porém o que o mantém vivo por meses de trabalho desumano é a esperança em rever sua família, pois dentro de si nunca acreditou que todos tivessem sido mortos.


Pontos positivos e negativos 
Embora o filme tenha suprido minhas expectativas, houve alguns pontos negativos que são bastante perceptíveis, que quando o assisti se tornam óbvias. A primeira hora de Ben-Hur são basicamente cenas de contextualização, que não mostram exatamente o desenrolar do enredo, pois é só uma maneira do público de se familiarizar com o ambiente, os personagens e suas características , e todo filme precisa dessa introdução, porém quando se trata de Ben-Hur acredito que a direção deu mais crédito a esse "começo", pois só depois de quase uma hora de filme é que é possível ver o primeiro conflito se iniciando, e antes desse tempo, surgiu aquela dúvida questionando se eu realmente havia escolhido o filme certo. O diretor fez tanta questão em prolongar as cenas de contextualização que acabou desequilibrando a cronologia do filme, pois os eventos que deveriam receber mais tempo e serem mais explorados passaram tão depressa que não surpreenderam, por exemplo, quando Judah se torna escravo a bordo do navio romano não houve tanta exploração do que aconteceu durante os 5 anos em que esteve preso, algo decepcionante. Não acredito que tenha sido um erro tão grave, e caso tenha sido, a produção fez o possível para investir na ambientação das filmagens, contanto com um cenário específico para retratar os tempos de antigamente, e essa característica foi mais além, pois as roupas, costumes e características enfatizam exatamente como as pessoas deviam se comportar naquela época. 

Sinceramente, chorei quando o filme chegou em suas partes finais, e muitas pessoas que estavam assistindo a mesma sessão também, pois consegui absorver a mensagem jogada ao decorrer do filme, e que nas últimas cenas vai ficando extremamente fácil a sua interpretação. Ben-Hur me fez sair do cinema com o pensamento cheio de questões não respondidas e com uma lição de vida que me fez querer expor meu pensamento em todas as redes sociais. Sabe aquela conversa sobre perdão que aprendemos ao longo das nossas escolhas à medida que sofremos as consequências dos nossos arrependimentos e queremos uma segunda chance de fazer tudo diferente, ou entregar a alguém a oportunidade de consertar os seus erros? A rivalidade entre Judah e Mesalla leva exatamente a esse pensamento, e até que ponto se pode nutrir o desejo pela vingança e ódio dentro de alguém. Ao longo do filme você vê uma família totalmente destruída por uma injustiça, e ficar imaginando qual será o final de cada um dos personagens é uma tortura, pois eu só consegui criar uma imagem negativa que mostrava que não haveria solução para Judah e Mesalla se perdoarem, mas aconteceu exatamente o contrário, ambos não aguentavam mais se destruírem tanto, e as consequências para o ódio e rancor os levou a quase morte enquanto competiam durante uma corrida de biga, onde Mesalla saiu gravemente ferido, perdendo uma de suas pernas por acidente, e tornando Judah o vencedor da disputa e tendo seu nome de traidor retirado, porém tenho certeza que algo dentro dele não se satisfez com a vitória, pois nada pareceu mudar com a derrota do irmão e ex-melhor amigo, isso só aconteceu quando Judah pede ao irmão para que esqueçam o passado e recomecem, algo que pareceu impossível desde o início, mas com uma simples e grandiosa atitude, uma nova história foi criada, e o passado ficou finalmente para trás. 


Aparição de Jesus 
O personagem interpretado por Rodrigo Santoro foi extremamente comentado pelos críticos e pela mídia, o enredo não precisou deixar óbvio que aquele homem simples era Jesus, as características do personagem deixaram nítida essa suspeita, pois a sua calma e tranquilidade eram gritantes. Rodrigo Santoro é um dos melhores atores brasileiros - na minha opinião - e um dos únicos que conheço que já atuou em tantos filmes estrangeiros, não ficando preso as novelas e séries do país, por isso seu papel no remake Ben-Hur foi tão bem aceito pelo fãs. Admiro a capacidade do ator em fazer parte de filmes e séries tão variadas ao longo da carreira, como por exemplo, sua presença em Lost, em Velho Chico e 300, e tantos outros títulos; se ficou curioso para saber quais os trabalhos realizados pelo ator desde o começo da carreira, confira nesse link a lista com as suas principais atuações (lista).

Curiosidades 
A produção de Ben-Hur de 1959 conquistou 11 Oscar. 
Em 14 de abril de 2015, Rodrigo Santoro esteve no Vaticano, onde recebeu a benção do papa Francisco. 
Jack Huston, ator que interpretou Judah Ben-Hur atuou na saga Crepúsculo: Eclipse como noivo de Rosalie Hale antes dela se tornar uma vampira. 
O diretor do filme Timur Bekmambetov dirigiu O Procurando, filme de 2008 que contou com a participação de Angelina Jolie. 
Rodrigo Santoro e Jack Huston estiveram no Brasil para lançamento do filme.

Comentários

  1. Muito boa revisão de Ben Hur. Um eu realmente gosto do trabalho que eles fizeram com este roteiristas de cinema. É um remake do filme original de 1959, as gerações que apreciaram esta versão tinha grandes expectativas para esta nova versão e pessoalmente acho que foi um grande sucesso. Foi reconfortante ver o filme com efeitos específicos desta geração eram impressionantes. O desempenho que eu gostei foi a de Rodrigo Santoro, que também estrelaWestworld, é um ator muito talentoso que certamente ter alcançado novos projetos.

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    1. Oi Camila, fico feliz que tenha gostado da revisão que fiz sobre o filme. Sinceramente a produção me surpreendeu, e como é de costume, tenho a mania de observar os mínimos detalhes de qualquer trama, identificar pontos de reflexão e ideias, e Ben Hur me fez enxergar o valor de família, de companheirismo, o quanto a vingança pode ser destrutivo se subir pela cabeça. Rodrigo Santoro teve um desempenho maravilhoso, apesar das críticas negativas que o filme recebeu, sua atuação foi incrível, e realmente ele é um ator talentoso, não é à toa que faz tanto sucesso. Beijos.

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