Existe algo chamado amor próprio, já experimentou?
Mas uma parte de mim não queria entender, porque chega um momento em que ser forte o tempo todo parece machucar, é como ferir involuntariamente a nossa própria coragem, claro, se eu tivesse o mínimo de coragem para não desistir tantas vezes na primeira oportunidade.
- Tá mais para uma vida ruim. - minha voz era uma mistura de incerteza e deboche, e o gosto de cafeina contra meus lábios era a única maravilha que poderia me reconfortar, além do tom preocupado e atencioso da Mari.
Mari sempre sendo a Mari. Como ela consegue passar por tantos problemas e continuar tendo essa imagem de garota que resiste a qualquer trauma de coração partido? Esse sorriso descarado nunca sai do seu rosto, é uma marca fixa e sua assinatura. Como algumas pessoas lidam com tanta facilidade certas decepções, e onde será que encontro essa receita?
- Vai piorar. - Mari nunca foi muito paciente, principalmente quando se trata de ser direta com os amigos, e nunca restava tempo para eu vestir minha própria armadura contra suas palavras.
- Agora você não me ajudou muito.
- Algumas coisas só dependem de você, sabe? Se você quer superar algo, vai lá e tentar superar, mesmo que seja aos poucos.
- Mas esse é o problema, você faz parecer tão fácil.
Ela ri, porém minha seriedade não permite acompanhar sua doce gargalhada.
- Nunca disse que seria, mas se você se permitir acreditar mais nos seus problemas no que na sua capacidade de superá-los, então será realmente difícil.
- Tá dizendo que preciso ter um pensamento mais positivo? - perguntei, meio incrédulo com aquela conversa, mas eu continuei sentada naquela mesa de bar sem ao menos conseguir levantar para viver uma vida que eu não tinha.
- To dizendo pra você parar de buscar uma desculpa para tudo que acontece, e agir por você. Existe algo chamado amor próprio, não sei se você já experimentou.
Sua verdade fez o meu peito arder como se tivesse recebido um corte profundo que também invade a alma; não tive controle sobre aquele pesar angustiante que me dominou naquele instante.
- Eu preciso desapegar do que não faz bem, e não me refiro só a um relacionamento que não deu certo, mas parece que eu sou um imã de problema.
- Verdade, você só atrai o que não serve pra nada, e não me refiro ao seu último namorado.
Havia um sarcasmo incurável na afirmação da Mari, e com toda a certeza do mundo, ela estava se referindo ao meu último caso de coração partido. Essa era minha síndrome, saber que sempre existiria um idiota pronto para quebrar minhas expectativas.
- É só uma fase, vai passar. Algumas coisas não duram para sempre.
- Um coração partido tem cura, e o tempo não é o melhor remédio.
- E o que é então?
- Amar a si mesma a ponto de não precisar de nenhuma canalha.
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